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E a Bebel, quem diria...
Ontem (ou mesmo amanhã, para mim que estou escrevendo hoje —
risos) o TSE esteve decidindo uma questão relevante para a
democracia, mas totalmente desprezível para todos os brasileiros
no momento presente, a quem pertence o mandato de um político
eleito: ao político ou ao partido? Como tudo que vem acontecendo
no Brasil contemporâneo, esta decisão seja uma ou outra, pouco
ou nada mudará na minha vida. Também não acredito que mudará na
vida dos políticos com mandato e nem dos partidos, já que no
momento em que podemos verificar se existe coerência deles com a
ética vigente e com o ideal partidário transformam o voto e a
reunião em secreta e não há como avaliar se cada um foi fiel a
si mesmo, aos seus interesses e muito menos aos ditames de seu
partido.
Vejo essa coisa de forma totalmente diferente. Um mandato
político é uma outorga temporária e não deve pertencer nem ao
eleito e tampouco ao partido de sua filiação, mas aos eleitores
que o elegeu. A dificuldade desta prática é simples: como
exercer essa fiscalização e cobrança durante o tempo de mandato
de seu escolhido? Olhando com calma esse problema vamos
descobrir outras fragilidades do processo e chegamos mesmo a uma
situação de desconhecimento (depois de pouco tempo decorrido das
eleições), até mesmo de quem foi o político escolhido por nós
para nos representar nas diversas instâncias.
Esta minha reflexão não foi originada pelo resultado dessa
decisão que pode ter sido anunciada no dia de ontem (nem sei se
realmente foi), mas numa reclamação feita em plenário pelo
Senador Eduardo Suplicy sobre o final da novela Paraíso
Tropical. Ele reclamou da exposição da Comissão de Ética
Parlamentar a uma situação vexatória, por ter sido “visitada”
pela prostituta mais famosa e cobiçada do momento chamada Bebel.
O Senador achou de muito mau gosto esta exposição, que a
classificou como um ato de desrespeito institucional.
Senti bastante não ter assistido o capítulo final da novela, por
conta de compromissos fora do Estado, assim não pude observar os
detalhes que levaram Bebel à Brasília. No meu imaginário havia
desejado outro desfecho para aquela personagem. De início uma
pessoa comum, até inocente, vítima da desagregação familiar,
sofrida nos seus amores, sonhadora, e que pôde retratar o
sofrimento experimentado pelas “funcionárias” da profissão mais
antiga da história da humanidade. O imaginário coletivo chegou
até a projetar um final feliz para a Bebel (casando-se com
Olavo, seu grande amor, e transformando-se de prostituta em
amante e mãe).
Fiquei triste com o desfecho final. Acreditava na sua
recuperação, mas terminar numa CPI em Brasília foi muita
crueldade, deixou as calçadas e acabou no Irajá.
Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br
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