ESQUINA CULTURAL
AO MESTRE COM RESPEITO

(*) José Medeiros

O professor Nabuco Lopes foi homenageado pela Sociedade Brasileira de Medicina Avançada, presidida pelo médico Sergio da Hora Farias. É sempre necessário recordar e cultivar a memória daqueles que contribuíram para a expansão e melhoria do processo educacional no Estado.

Nessa ocasião, proferi palavras evocativas da vida desse mestre emérito. Resumo alguns trechos desse discurso: As circunstâncias que envolvem a solenidade e, especificamente, o sentido de homenagem e de reverência que encerra, extrapolam o caráter de simples reconhecimento de méritos, para um conteúdo mais profundo e mais amplo, simbólico e emocional.

Nabuco, era um homem culto, íntegro, viajado, pesquisador, professor, escritor, valorizava as raízes humanísticas e a ética dos desempenhos. "Arquiteto" de sonhos e realidades, causava uma forte impressão em todos os que o conheceram, na tradução do magnetismo de sua personalidade.

Reformado como general do Exército Brasileiro, dedicou-se ao que mais gostava: o ensino, especialmente, o ensino superior. Foi professor de Farmacologia e Fisiologia da Faculdade de Medicina de Alagoas, Diretor do Centro de Ciências Biológicas, Pró-Reitor da UFAL para Assuntos de Pós-graduação e Pesquisa, Reitor da Universidade Federal de Alagoas, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas e Presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames).

Ao assumir, em 1971, a UFAL, existiam 11 cursos superiores. Ao terminar seu mandato, havia duplicado a oferta de matriculas, com mais 12 novos cursos oferecidos no vestibular. Deixou a Universidade Federal de Alagoas aplaudido como bom administrador, realizador de uma extraordinária obra educacional.

Fui seu aluno, no curso de Medicina, e, anos depois, já no magistério superior, fui nomeado vice-diretor do Centro de Ciências Biológicas, tendo a honra de substituí-lo na direção do CCBI, quando afastou-se para ser Reitor da UFAL. Fui secretário da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, que ele organizou em Alagoas, em 1977, substituindo-o na presidência, um ano depois, quando resolveu dedicar-se, em tempo integral, a uma pesquisa que realizava sobre alimentação regional. Participei de várias equipes de suas administrações.

Profundamente dedicado à família, tinha, em sua esposa, D. Moema Rocha Lopes, além de uma doce e terna companheira, credora do mais profundo afeto e do mais desvelado carinho, uma amiga de todas as horas, dedicada, corajosa e abnegada. D. Moema, conquistava a todos, pela sua bondade, riqueza de espírito e dedicação aos seus familiares e amigos.

Do professor Nabuco Lopes, guardo exemplos de disciplina e eficiência no trabalho, espírito criador e amor às causas públicas.

(*) é médico e ex-Secretário de Educação e de Saúde

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