ESQUINA CULTURAL

Como os animais

Estou retornando de uma longa viagem de férias e com algumas lições aprendidas. Coisas que não repetirei: sair em férias no mês de abril quando o trabalho está em ritmo acelerado, e por isso muitas oportunidades são perdidas. Quem oferece trabalho não entende como se pode sair de férias nesse mês em que tudo começa; depois, gozar um período tão prolongado de 15 dias, porque o trabalho que deve ser feito vai esperar um tempo muito grande e, no retorno, uma avalanche de problemas para serem resolvidos em curto tempo. Como resultado, lá se vai todo o repouso e o bom humor que se deve ter quando se retorna de um “descanso”.

Mas nem tudo é tão ruim que não se possa aproveitar alguma coisa. Voltar a Lisboa e perceber como os nossos patrícios continuam nos tratando depois de nos ter colonizado é importante para uma reflexão oportuna. Lisboa, a cada dia, está evoluindo e dando sinais de progresso depois da incorporação à comunidade européia. Comer um bom bacalhau e passar uma noite numa casa de fados é sempre um programa obrigatório para quem chega.

Desta feita optei em fazer outros passeios, e um deles foi ao Oceanário. Acredito que lá está o maior aquário do mundo. É um passeio para se dedicar uma manhã ou uma tarde.

Percorrê-lo com tempo, e sem pressa, permite observar com calma, o que a natureza tem para nos oferecer de beleza nos diversos oceanos existentes no mundo. Lá se encontra, muito bem representado, o nosso velho e conhecido Oceano Atlântico com sua rica fauna e flora.

Com mais calma ainda podemos perceber algumas riquezas que não estão tão visíveis e que apenas a sensibilidade pode vislumbrar.

Descobri duas coisas importantes e interessantes ao olhar o passeio de diversas espécies de peixe. Alguns grandes, outros conhecidamente violentos, outros rápidos e muitos nadavam lentamente como se desfilassem diante da platéia desejando chamar a atenção. O que mais me impressionou foi a pacífica convivência dos grandes com os pequenos. Uns não devoram os outros. Na vida dentro do aquário todos se respeitam. O motivo maior é que todos estão devidamente alimentados. Enquanto existir comida para todos, a harmonia dentro do grande aquário estará assegurada.

Ainda caminhando dentro do Oceanário, deparei-me com outra espécie bastante conhecida, mas da qual desconhecia uma característica fundamental. Refiro-me aos pingüins, que são espécies extremamente fiéis. Quando formam um casal, o formam para sempre. Com os pingüins não há divórcio nem famílias desfeitas.

Só não aprendi com os animais qual o melhor momento para tirar férias e com quem eles deixam as tarefas a serem cumpridas, para que na volta os clientes não fiquem dizendo: “doutor parece que essas férias não lhe fizeram bem”.

Marco Antônio Mota Gomes
Médico cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br

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