ESQUINA CULTURAL

Novo aeroporto, velhos problemas

Como usuário semanal de nosso aeroporto esperei com muita ansiedade a sua inauguração. Maceió foi uma das últimas capitais a usufruir desse movimento modernizador encetado pela Infraero, e o impacto de descer num terminal moderno e confortável fazia parte do sonho de muitos alagoanos.
 
A construção do novo aeroporto, coincidindo com a inauguração de nosso moderno Centro de Convenções, colocou a nossa cidade no roteiro nacional e internacional de eventos. Pude constatar essa possibilidade recentemente quando coordenei a realização do II Simpósio Nacional de Hipertensão. Os mais de cinqüenta convidados que trouxe para Maceió ficaram encantados com a nossa cidade e muitos já programam o retorno nas férias.
 
No entanto, a inauguração de nosso aeroporto não tem conseguido vencer algumas dificuldades encontradas quando os embarques e desembarques aconteciam em nosso velho aeroporto. Por diversas vezes sou convidado a realizar esses procedimentos longes das pontes desenvolvidas para cumprir com essa finalidade. Até entendo que com o crescimento de nosso movimento (com mais vôos disponíveis) a quantidade pequena de pontes poderia acarretar problemas dessa monta, mas o que temos presenciado são as quatro pontes vazias e os embarques e desembarques ocorrendo da forma antiga.

Essa semana estava chegando de São Paulo, tarde da noite, quando ouvi a voz do piloto anunciando que o desembarque iria ocorrer também pela porta traseira da aeronave, num sinal evidente de que estávamos estacionando fora do alcance das pontes.

Nesse dia, fiquei observando duas pessoas bastante idosas, que desciam na minha frente, quase caírem da escada por falta de equilíbrio. Embora ainda jovem - risos, resisto para descer escadas carregando minha bagagem porque já sinto dificuldade devido a problemas articulares nos meus benditos joelhos.
 
De cima, enquanto aguardava que os dois passageiros idosos descessem (ou mesmo caíssem), olhava para as quatro pontes que estavam desocupadas e piscando como se estivessem esperando a descida de algum OVNI e, por isso, não podiam atender aquele vôo que acabara de pousar. O aeroporto é novo (isso é inquestionável), o problema velho é o descaso com o idoso.
 
Obs: na próxima vez que isso acontecer vou exigir uma cadeira de rodas


 

Marco Mota / Médico cardiologista
E-mail: mota-gomes@uol.com.br

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