A lição que deve ter ficado para muitos deputados que têm coisas
mal resolvidas é que talvez seja melhor sempre ficar longe do
“olho do furacão”, ou seja, quanto mais anonimato mais
segurança. O Severino levava, há bons anos, uma vida tranqüila
comandando o chamado baixo clero da Câmara, até que, num
determinado dia, desejou mais poder e logo o poder maior, o de
ser o Presidente do alto e do baixo clero. Não demorou a sua
“poderosa desventura”, logo veio a agonia da “morte”, e
rapidamente. O mesmo baixo clero, que antes aplaudiu a sua
ascensão (com raras exceções, também há fidelidade entre essas
pessoas), logo se apressou a descartá-lo para o interior de
Pernambuco, de onde ele, como Fênix, promete ressurgir nas
próximas eleições das cinzas (ou mesmo da lama, não importa).
Embora também torcesse para vê-lo desaparecer (que bom que fosse
definitivamente) do cenário político brasileiro, devo reconhecer
que a sua chegada à Presidência da Câmara deu uma balançada
política no Governo Lula, permitindo que mesmo políticos
inescrupulosos ficassem mais ousados e lançassem denúncias
reveladoras da lama que circundava o Palácio do Planalto. O
Governo, que até então não encontrava uma oposição articulada e
forte, seguia dando a impressão de que vivíamos no país que o
Presidente Lula, nos seus enfadonhos e fantasiosos discursos,
desejava nos convencer existir.
Faço esses comentários desejando chegar onde? Onde alcança a
minha atual preocupação depois da eleição do novo Presidente (um
alagoano/paulista): todas as análises dessa escolha, de um
elemento que, embora tenha credibilidade notória, está
intrinsecamente ligado ao Governo instalado e envolvido no maior
escândalo que já se tomou conhecimento nesse país, apontam para
o fortalecimento do que restou do Governo Lula, não permitindo a
apuração da origem dos bilhões de reais arrecadados pela “gang”
que assaltou a Nação.
O meu desejo é de que a “morte” de Severino dê “vida” a um tempo
novo na política brasileira, e que o novo Presidente da Câmara
abra mão de duas virtudes, nesse momento, aterradoras para o
destino do país: a fidelidade e a amizade.
Marco
Antônio Mota Gomes
Médico
cardiologista
E-mail:
mota-gomes@uol.com.br