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RESUMO

Preditores de mortalidade hospitalar no infarto agudo do miocárdio, com supradesnivelamento do segmento ST, em Hospital do Sistema Único de Saúde na Cidade de Fortaleza, Ceará.

Demóstenes Gonçalves Lima Ribeiro

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil e tem no Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) a sua expressão mais grave. Este, quando acompanhado do supradesnivelamento do segmento ST ao eletrocardiograma (ECG), em geral, resulta da fissura ou da rotura de uma placa aterosclerótica em uma artéria coronária, seguida por uma oclusão trombótica. Vários estudos demonstraram uma menor morbimortalidade no IAM com a terapia de reperfusão coronariana, seja através da fibrinólise farmacológica ou, preferencialmente, com a angioplastia primária e o implante de stent na artéria coronária relacionada ao IAM. Esta é considerada atualmente o tratamento ideal e tem os seus resultados aprimorados com o emprego dos inibidores da glicoproteína IIb / IIIa. Contudo, em termos de saúde pública, essa conduta certamente não terá aplicação generalizada, em face do seu alto custo e da pouca exequibilidade de serviços de hemodinâmica na maioria dos nossos hospitais. O objetivo principal deste trabalho foi identificar alguns preditores clínico-demográ-ficos da mortalidade hospitalar no IAM com supradesnivelamento do ST, facilmente reconhecíveis à admissão do paciente na Emergência ou na Unidade Coronariana do Hospital de Messejana da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, Brasil (HM-SESA, CE.), possibilitando uma futura racionalização de condutas que resultem em um melhor prognóstico. Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo, de uma coorte de 373 pacientes, em um primeiro episódio de IAM, admitidos no período de 01.01.1996 a 31.12.2000, no HM-SESA, CE., dos quais 289 tiveram alta hospitalar e 84 foram a óbito, e rotulados, respectivamente como grupos A e B. Ambos os grupos foram analisados, de modo semelhante, quanto ao sexo, à idade, ao tempo decorrido entre o início dos sintomas sugestivos de IAM e o atendimento no HM-SESA, CE., à utilização ou não de estreptoquinase (EQ), aos fatores de risco tradicionais predisponentes à aterosclerose coronariana – ou seja, hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, tabagismo, hipercolesterolemia e história familiar positiva para aterosclerose precoce -, à localização eletrocardiográfica do IAM e à classe funcional de Killip. A comparação dos 2 grupos revelou, com significância estatística, à análise univariada, que os pacientes que foram a óbito tiveram em maior proporção, em ordem decrescente, disfunção ventricular, diabetes mellitus, idade acima de 70 anos, IAM inferior associado a comprometimento do ventrículo direito, tempo maior do que 12 horas entre o início dos sintomas e o atendimento no HM-SESA, CE., IAM ântero-septal ou anterior extenso, não utilização de EQ e ausência de tabagismo, do que aqueles que receberam alta hospitalar. Contudo, pela análise de regressão logística multivariada, os fatores independentes de influência para o óbito foram somente a disfunção ventricular, o diabetes mellitus e a idade acima de 70 anos. Sugere-se, portanto, que os pacientes com IAM e supradesnivelamento do segmento ST, portadores destas características, sejam preferencialmente tratados com a angioplastia primária, implante de stent e emprego dos inibidores da glicoproteína IIb / IIIa, buscando-se um melhor prognóstico. Nos demais pacientes, poderá ser empregada a EQ, preferencialmente no local do primeiro atendimento hospitalar. Campanhas de saúde pública deverão estimular a população quanto ao controle dos fatores predisponentes à aterosclerose e conscientizá-la a buscar um imediato atendimento hospitalar quando dos sintomas iniciais sugestivos de IAM.

 

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