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RESUMO

ESTUDO DA QUALIDADE DE VIDA EM PACIENTES COM URGÊNCIA HIPERTENSIVA
Alberto Liberman

Versão Inglês

A hipertensão arterial é geralmente considerada uma condição assintomática, o que dificulta a identificação de indivíduos não conscientes e aqueles conscientes com a pressão arterial não controlada. A urgência hipertensiva é uma das situações mais graves de hipertensão arterial não controlada. As alterações no bem-estar físico e psicológico e da qualidade de vida nos pacientes hipertensos é uma questão controvertida. O objetivo do presente estudo foi avaliar a qualidade de vida em pacientes atendidos com urgência hipertensiva, utilizando o instrumento genérico, questionário SF-36. Foram selecionados 70 pacientes com urgência hipertensiva de ambos os sexos, com idade entre 30 e 70 anos atendidos no Pronto Socorro do Hospital Albert Sabin-Campinas, beneficiários de Plano de Saúde. Os pacientes eram sintomáticos, apresentavam hipertensão arterial grau 2 e 3 e não eram portadores de comorbidades graves ou incapacidade funcional. Após serem medicados no Pronto Socorro, foram encaminhados para uma avaliação clínico laboratorial no Ambulatório, quando foram aplicados, na forma de entrevista, o questionário SF-36, instrumento genérico de qualidade de vida, o questionário específico para avaliar os sintomas dos pacientes com hipertensão arterial e o questionário de distúrbios do sono de Jenkins. A média de idade da amostra estudada foi de 50,39 anos sendo 31(44,3%) do sexo masculino e 39(55,7%) do sexo feminino. O valor médio da pressão arterial sistólica foi de 176,28mmHg e da pressão arterial diastólica 110,14mmHg. Nenhum paciente apresentava condição clínica associada, 65,7% tinham lesão de órgão-alvo e 15,7% eram diabéticos. A maioria dos valores obtidos nos oito domínios do SF-36 situou-se acima de 70, porém nos domínios vitalidade e saúde mental os valores foram menores que 60. A relação entre as variáveis da amostra e os oito domínios do SF-36 demonstrou que os pacientes do sexo masculino apresentaram valores maiores, com diferença significativa em quase todos os domínios. Aqueles com maior escolaridade e renda e os empregados apresentaram escores maiores, melhor qualidade de vida em todos os domínios. Os pacientes conscientes e em tratamento da hipertensão apresentaram escores numéricos inferiores nos domínios do SF-36. Os diabéticos, aqueles com comorbidades, os que relataram stress e os que mais utilizaram a Assistência Médica se associaram a valores menores nos domínios do SF-36. Não houve associação entre os níveis de pressão arterial, idade, fatores de risco, obesidade e vida sedentária e a qualidade de vida. As variáveis mais consistentemente associadas e correlacionadas com a qualidade de vida foram o índice de freqüência e gravidade dos sintomas e a ocorrência de distúrbios do sono. Concluindo, os pacientes com urgência hipertensiva, quando avaliados pelo questionário SF-36, demonstraram valores menores nos domínios vitalidade e saúde mental, indicando pior qualidade de vida.

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